Terça-feira, 17 de Janeiro de 2012

desejo

gostava de ser aquela que Sou...

Sábado, 14 de Janeiro de 2012

C&G

- Porra, apetece me uma cerveja!
- Praguejar?! Nem parece teu, mano!... Mas alinho nessa cerveja contigo. E aqui parece me perfeito!

Segunda-feira, 22 de Agosto de 2011

Tantas moradas...

Diziam Tem um traço, diziam Tem jeito ou Tem gosto, diziam Podia... Diziam, mas eram só rumores.
Ninguém sabe bem o que ouviu falar, nem precisar a fonte.
Precisavam dum fiel depositário de todos os porvires, e foi assim que se tornou guardião dos possíveis futuros, iluminados com fortes leds, brilhantes... Brilhantes!
Nunca entendeu se o portão servia para impedir os futuros de saírem, ou os sonhadores de entrarem. De todo o modo, o portão estava aberto, como todos os dias, e as pessoas limitavam-se a espreitar, enquanto passeavam o presente.
Ainda tem aqui guardado o seu futuro aviador, dizia, quando aquele senhor disfarçava o seu interesse: Ah!O aviador!Vai ficar guardado mais um tempinho... Agora...não tenho tempo!
Não tenho tempo...
Tudo bem, volte quando Quiser!
Quando Puder!Quando Puder!
Tudo corria bem no Palácio dos Futuros Possiveis...
O mesmo não podia dizer o guardião do Cemitério dos Futuros Impossiveis.
Tão sombrios e gelados, naquele lugar enterrados...

Segunda-feira, 4 de Abril de 2011

C&G

No pátio das traseiras o calor parecia mais intenso, e até Chanina se rendeu à sombra que a casa caiada projectava.
Dengosamente avançou em direção a Buia-Buia, e rabeou até este se mover, deixando o lugar que anteriormente ocupava para Chanina. Embora a sombra se estendesse, Chanina fazia sempre questão de ocupar o lugar de Buia-Buia. Este, inicialmente incomodado, passou a interpretar este gesto como um elogio à sua capacidade de escolher o melhor lugar para descansar.
As crianças corriam em biquíni e chinelos, atirando água uma à outra. Pouco depois de tocar o chão, já toda a agua se tinha evaporado, perfumando o ar. As crianças enchiam novamente os baldes da praia, e voltavam a molhar-se.
Durante este jogo, acidentalmente atingiram Chanina com alguns salpicos, precipitando a sua mudança para o alpendre, onde a avó, sentada num banco que mais parecia de bonecas, partia amêndoas com um martelo, juntando as num saco de serapilheira.
- Os pequenos perturbam o teu sono, gato?
Respondeu com um demorado e intencionado "Miauuuu", sabendo que avó Nuna não resistiria ao seu apelo. Pouco depois, Chanina lambia os bigodes, repastado, perante uma tigela de leite vazia.

- Preciso de falar contigo, João. Preciso muito de te ver.
- Esta semana tenho muito trabalho, tenho relatórios para entregar, estamos em fase de mudanças na empresa, podemos combinar para a semana?
- Preciso de te ver, a que horas sais?
- Hoje não posso...
- A que horas?
- Não vai dar...
- A que horas, João?
- Às sete...
- Ótimo, dá tempo para me arranjar. Apanha me em minha casa, e vamos jantar fora.
- Vamos jantar onde?
- Deixo a escolha contigo, tu é que és o homem! Surpreende me!
Não era a primeira vez que o fazia, surpreender Luísa. Mas por mais que João se esforçasse, o efeito produzido não era o por ele pretendido. Desde sempre estivera apaixonado por Luísa, e faria qualquer coisa por ela. Apanha-la para jantar, saber que ficaria até de madrugada ouvindo a falar sobre mais um relacionamento falhado, pronunciando se neutralmente, recolhendo se à condição de melhor amigo, era a função de João, e ele interpretava a na perfeição.

Segunda-feira, 14 de Março de 2011

C&G

-Sufocas me, Jorge! Nunca estarei à altura dos teus elevados padrões! Odeio tanta ordem! Odeio tanta exigência!Aos outros não aplicas tão rigorosos critérios!
- Estás transtornada. Aguardo que te acalmes lá fora, vou apanhar um bocado de ar, dar te espaço para recuperares...
- Cobarde!
- Volto em breve...
Este brevidade que Jorge previa não cumpriu.
Divagando pela rua, deu consigo dentro do carro, e encaminhando-se para a beira mar.
A esta hora, já se tinham recolhido as pessoas a seus lares, e trama e teia arborizadas dum tecido urbano burguês deixavam se percorrer pelo sentimento de incumprimento de Jorge. Sentia que falhava. Porque o seu casamento não era perfeito como planeara. Porque a promoção tão trabalhada não se concretizara. Porque vivia de "quases" e "ses", num eterno advir, sempre no futuro, sempre no passado, nunca no presente. O presente tornava se muito doloroso por ser real.

A maré vaza deixava adivinhar os contornos das rochas outrora submersas. Permitia que Luisa e Jorge transitassem por entre uma gruta e desaguassem numa pequena praia, emoldurada pela fogosa falésia. Tão alta escarpa subjugava-os, e remetia os para o mar, onde o olhar se estendia sem esforço, e podia fluir livremente. As tardes eram quentes, e os pequenos, pelo mar, eram livres.
Jorge e Luisa mal secavam o sal no corpo, e corriam novamente para o embalo doce do Atlantico.
Luisa cria que, se lhe fosse dado tempo suficiente, as pernas se fundiriam, cresceria barbatanas,e se tornaria sereia, cantando aos navegadores. Era este o chamamento, o canto encantado e inebriante do mar que a seduzia.
Jorge apreciava as gaivotas no ar. Jorge apreciava as gaivotas no mar.
- Porque chamarão "gaivota" a esta bicicleta marítima de dois lugares?

Quinta-feira, 24 de Fevereiro de 2011

cheers darling!

odeio precisar.
odeio a sensação de falta.
não falta como ausência, falta como dependência.
odeio o vazio que deixas.
não faz sentido esta ansiedade,
não faz sentido esta busca cega.
livre deste buraco negro que me absorve,
um brinde!
a mim, eu, só!
um brinde!
a ti, tu, wherever...

whatever!

cheers, darling!

Sábado, 19 de Fevereiro de 2011

C&G

Não fazia sentido, e era uma hipótese que nem colocava... Queria Luísa acreditar. Na verdade, a proposta parecia tentadora, e naturalmente provaria a si e ao mundo que estava certa. É simples estar certo, quando nos limitamos a assistir, e no fim vaticinar. Era na profecia do futuro que já adivinhava falhar que Luísa apostava agora.
- Estragas sempre tudo!
E não tinha retorno. Também, não havia investimento. E assim era mais fácil empacotar os últimos 12 meses, de outros 12 meses. Umas quantas peças de roupa, livros, o portátil, e recordações que cabiam em duas caixas de cartão. Trouxera tanto das suas posses como de si para aquele apartamento, para aquela relação.
- Estragas sempre tudo…
Mas já não havia mais nada para estragar. Aquela madrugada tinha sido mais clara que as outras.

Regressado da praia, Jorge dispõe sobre o muro a sua colecção de conchas. Perfila-as por cores, por tamanhos, por preferência. Alinha e desalinha, enquanto a irmã observa.
- Porque estás sempre a misturar as conchas?
- Não estou a misturar, estou a ordenar.